Entrevista · 22 de outubro de 2026 · Radar Inversión
O CyberDay Paraguai 2026 será realizado de 2 a 4 de novembro. Manoella Talavera, diretora de Marketing da CAPACE, comenta as metas da campanha — 100 lojas participantes e US$ 10 milhões em vendas — e analisa desafios de rentabilidade, omnicanalidade, logística e investimentos no comércio eletrônico.
“O verdadeiro desafio não é apenas superar as vendas da edição anterior, mas fazer com que quem compra pela primeira vez durante o CyberDay continue comprando online após o evento.”
Manoella Talavera
Consultora em comércio eletrônico, experiência do cliente e transformação digital. Diretora de Marketing da CAPACE.
Entrevista
1. Segundo a apresentação da CAPACE, as vendas do CyberDay passaram de US$ 3,2 milhões em 2024 para US$ 8,8 milhões em 2025. Quais fatores explicam essa evolução e como são medidos esses resultados?
O crescimento do CyberDay reflete a evolução que está tendo o comércio eletrônico no Paraguai, tanto do lado das empresas como dos consumidores.
Passamos de 3,2 milhões de dólares em 2024 para 8,8 milhões em 2025, o que representa um crescimento de 175%. São números que demonstram que o canal digital está ganhando relevância dentro das estratégias comerciais.
Na edição 2025 participaram 85 lojas, mais de 7.500 transações, um ticket médio aproximado de G. 773.900 e mais de 70.000 visitas à plataforma oficial.
Este crescimento responde a vários fatores: maior participação de empresas, campanhas de comunicação mais fortes, ofertas competitivas e consumidores cada vez mais familiarizados com as compras online.
Desde a CAPACE, trabalhamos com indicadores como volume de vendas, transações, ticket médio, tráfego digital e participação de comércios para avaliar os resultados de cada edição.
Mas há algo importante: o sucesso do CyberDay não é medido apenas pelo que é vendido durante três dias, mas também pelos novos consumidores que incorporamos o ecossistema digital e as oportunidades que geramos para as empresas.
2. Quais são as expectativas da CAPACE para o CyberDay 2026 em relação a vendas, participação de lojas e comportamento dos consumidores?
Para esta nova edição, que será realizada de 2 a 4 de novembro, procuramos continuar fortalecendo o crescimento do CyberDay e a participação de empresas paraguaias. Este ano temos projetado 100 lojas e chegar aos 10 milhões de dólares de faturamento.
Nossa expectativa é continuar a ampliar o alcance da campanha, impulsionar as vendas digitais e conseguir que mais consumidores descubram novas marcas e categorias através da plataforma oficial Cyberday.com.py.
Também procuramos que as empresas aproveitem estes três dias não só para vender, mas para captar novos clientes, expandir suas bases de dados e gerar oportunidades de recompra. Outra abordagem que temos este ano é dar lugar às micro, pequenas e médias empresas para posicionar seus empreendimentos e chegar a uma imensa quantidade de visitas nestes três dias.
Do ponto de vista do consumidor, esperamos uma participação cada vez mais ativa, com pessoas que investigam, comparam preços e planejam suas compras antes do evento. Também muitas empresas do interior e consumidores já que a logistica das empresas também foram melhorando para um maior alcance.
O verdadeiro desafio não é apenas superar as vendas da edição anterior, mas sim conseguir que aqueles que compram pela primeira vez durante o CyberDay continuem comprando online após o evento.
3. Como evoluiu o consumidor digital paraguaio e que mudanças vocês observam em seus hábitos de compra?
O consumidor paraguaio está evoluindo para um comportamento cada vez mais digital, informado e exigente.
Hoje o cliente tem mais ferramentas para comparar alternativas, buscar promoções e avaliar diferentes opções antes de tomar uma decisão.
Mas também espera algo fundamental: uma experiência de compra simples, segura e confiável.
Já não chega com ter uma loja online ou publicar produtos em redes sociais. O consumidor espera encontrar informações claras, disponibilidade real, diferentes meios de pagamento, processos de compra simples e entregas que satisfaçam o prometido. O consumidor quer que demos uma solução rápida ao que procura.
Além disso, as empresas devem compreender que o consumidor não pensa em canais separados. Você pode descobrir um produto no Instagram, consultar pelo WhatsApp e terminar comprando em um site.
O cliente não é do ecommerce, da loja física ou do WhatsApp. O cliente é da empresa e espera uma única experiência, independentemente do canal que escolha.
Por isso, o grande desafio é avançar para modelos verdadeiramente omnicanais.
4. Quais setores apresentam as melhores perspectivas de desenvolvimento no comércio eletrônico paraguaio?
Os resultados do CyberDay mostram oportunidades em diferentes categorias.
Na edição 2025, os marketplaces representaram 65% do indicador de crescimento por categoria apresentado pela campanha, seguidos por farmácias e perfumerias com 15%, eletrodomésticos e eletrônica com 12%, lojas com 5%, telefonia com 2% e supermercados com 1%.
Isto demonstra que o comércio electrónico não está limitado a produtos tecnológicos ou serviços.
De um olhar estratégico, vemos oportunidades especialmente interessantes em categorias de consumo recorrente, como supermercados, farmácias, produtos de cuidado pessoal e artigos para casa.
São áreas onde existe um grande potencial para desenvolver frequência de compra, fidelização e relações de longo prazo com os clientes.
Os marketplaces também representam uma oportunidade para que empresas mais pequenas possam expandir seu alcance sem depender exclusivamente de seus próprios canais de venda.
O maior potencial não está apenas em vender mais produtos online, mas em conseguir que comprar digitalmente se torne um hábito cotidiano.
5. Quais são as principais barreiras enfrentadas pelas micro, pequenas e médias empresas para desenvolver um canal de vendas online rentável?
Um dos principais desafios é que muitas empresas ainda entendem o ecommerce como a implementação de um site ou a abertura de um canal de vendas pelo WhatsApp.
Mas o comércio eletrônico é muito mais do que isso. Implica processos, tecnologia, logística, atendimento ao cliente, marketing e mensuração de resultados.
Entre as barreiras mais importantes identificamos a falta de profissionalização dos processos digitais, dificuldades para gerar tráfego e converter visitas em vendas, uma gestão manual de inventários e encomendas, e pouca integração entre os diferentes canais.
Existe também um desafio relacionado com a rentabilidade. Não basta gerar vendas: as empresas devem entender quanto custam adquirir um cliente, quanto margem deixa cada operação e como conseguir que esse cliente volte a comprar.
Muitas vezes investe-se em publicidade, mas não é revista se o checkout funciona corretamente, se os produtos estiverem disponíveis ou se o processo de compra for simples.
Minha recomendação para as micro, pequenas e médias empresas é clara: antes de investir mais em atrair clientes, certifique-se de estar preparada para convertê-los e dar-lhes uma boa experiência.
O CyberDay representa uma oportunidade para acelerar essa aprendizagem, chegar a novos públicos e fortalecer suas capacidades digitais.
6. Quais investimentos são prioritários para fortalecer a logística, os meios de pagamento, a tecnologia e a segurança digital no comércio eletrônico paraguaio?
Para que o comércio electrónico continue a crescer de forma sustentável, precisamos de fortalecer toda a cadeia de valor, não apenas as plataformas de venda.
Do meu ponto de vista, existem quatro prioridades.
Primeiro, a logística. Precisamos de operações mais eficientes, maior rastreabilidade de encomendas e melhor capacidade de distribuição, especialmente fora dos principais centros urbanos.
Segundo, os meios de pagamento. É fundamental continuar a facilitar as transacções digitais e a oferecer alternativas simples e seguras para diferentes perfis de consumidores.
Terceiro, tecnologia e integração de sistemas. Muitas empresas ainda operam com processos manuais e ferramentas desconectadas. Integrar inventários, vendas, pagamentos, facturação e logística permite melhorar a produtividade e reduzir erros.
E quarto, cibersegurança e proteção da informação, porque a confiança é um dos principais ativos do comércio eletrônico.
Não podemos construir um ecommerce competitivo com um excelente site e processos internos que continuam funcionando manualmente.
O investimento deve contemplar toda a experiência do cliente, desde que descobre um produto até que o recebe e precisa de atendimento pós-venda.
7. Quais oportunidades o comércio eletrônico oferece para a internacionalização das empresas paraguaias?
O comércio eletrônico permite que uma empresa paraguaia amplie seu mercado potencial sem depender exclusivamente de uma expansão física.
Isto representa uma oportunidade especialmente interessante para micro, pequenas e médias empresas, marcas nacionais e empresas que procuram chegar a consumidores de outros países.
No entanto, a internacionalização requer preparação.
Não se trata apenas de habilitar envios internacionais. As empresas devem trabalhar em meios de pagamento, logística, custos de distribuição, requisitos regulatórios, atendimento ao cliente e adaptação de sua proposta comercial a cada mercado.
Também é importante aproveitar as plataformas e o marketplaces que permitem aceder a novos públicos.
O ecommerce pode tornar-se uma ferramenta de internacionalização para as empresas paraguaias, desde que exista uma estratégia comercial e operacional por trás.
O desafio é passar de ter presença digital para desenvolver modelos de negócio capazes de competir e operar em outros mercados.
8. Quais iniciativas a CAPACE desenvolve para profissionalizar o setor e fortalecer a competitividade das empresas?
Desde a CAPACE, trabalhamos para impulsionar o desenvolvimento do comércio eletrônico paraguaio, fortalecer as empresas e promover uma maior adoção dos canais digitais.
Uma das nossas iniciativas mais importantes é o CyberDay, que permite às empresas participantes fazer parte de uma campanha conjunta de grande alcance.
Na edição 2025, a estratégia de comunicação incluiu ações de publicidade digital, mídia tradicional, influenciadores, posicionamento em buscadores e presença em via pública. A campanha atingiu aproximadamente 12,3 milhões de impressões digitais.
Para as empresas, especialmente as micro, pequenas e médias empresas, participar de uma iniciativa destas características representa uma oportunidade para chegar a consumidores que possivelmente não alcançariam com suas próprias ações de marketing.
Mas o nosso trabalho não termina na difusão do evento.
Também promovemos a preparação das lojas, a capacitação, as boas práticas e a melhoria da experiência de compra.
Procuramos que as empresas compreendam a importância de preparar as suas promoções, rever os seus processos de checkout, comunicar antecipadamente as suas ofertas e garantir que toda a operação esteja pronta para responder à procura.
Desde a CAPACE, queremos que cada campanha não só produza vendas, mas deixe empresas mais preparadas, consumidores mais confiantes e um ecossistema digital mais competitivo.
9. Quais oportunidades de crescimento e investimento você identifica no comércio eletrônico paraguaio para os próximos três a cinco anos?
Vejo oportunidades muito importantes na profissionalização e transformação digital das empresas paraguaias.
O crescimento do comércio eletrônico abre possibilidades de investimento em tecnologia, logística, plataformas de pagamento, automação, inteligência artificial e soluções de Customer Experience.
Uma das grandes oportunidades será ajudar as empresas a integrarem as suas operações e construir experiências verdadeiramente omnicanas.
Também veremos um maior potencial na utilização de dados para compreender o comportamento do consumidor, personalizar ofertas, melhorar a conversão e fortalecer a fidelização.
A inteligência artificial pode desempenhar um papel importante na automação de processos, atendimento ao cliente, análise comercial e produtividade das equipes.
Mas há um ponto fundamental: a tecnologia por si só não garante resultados.
As empresas precisam de estratégia, processos e pessoas preparadas para aproveitar essas ferramentas.
Considero que a próxima etapa do ecommerce paraguaio não será definida apenas por quantas empresas vendem online, mas por que tão eficientes, rentáveis e centradas no cliente conseguem ser.
É aí que identifico uma das maiores oportunidades de crescimento e investimento para os próximos anos.
10. Que mensagem você daria às empresas que ainda consideram o comércio eletrônico apenas um canal complementar de vendas?
Diria-lhes que o ecommerce deixou de ser apenas um canal adicional: hoje deve fazer parte da estratégia de crescimento e competitividade de qualquer empresa.
O consumidor já é omnicanal. Investiga digitalmente, compara alternativas, consulta por diferentes meios e decide como, quando e onde comprar.
As empresas não devem o obrigar a adaptar-se às suas estruturas internas. São as organizações que devem se adaptar ao comportamento do cliente.
Além disso, o comércio eletrônico gera muito mais do que vendas. Permite conhecer melhor o consumidor, obter dados, ampliar mercados, automatizar processos e desenvolver relações comerciais de longo prazo.
O ecommerce não se trata de ter uma loja online. Trata-se de transformar a maneira como uma empresa vende, opera e se relaciona com seus clientes.
E as empresas que compreendam isto não só estarão melhor preparadas para o futuro: estarão construindo vantagens competitivas desde hoje.
Fonte: entrevista escrita concedida por Manoella Talavera ao Radar Inversión. As metas mencionadas para o CyberDay 2026 são projeções da CAPACE, não resultados realizados.

