Indústria e maquila · Atualizado em 16 de outubro de 2026 · Dados acumulados até setembro
As exportações de manufaturados sob o regime de maquila alcançaram US$ 1,148 bilhão entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio (MIC) e do Conselho Nacional da Indústria Maquiladora de Exportação (CNIME), divulgados em 15 de outubro. Apenas em setembro, as exportações somaram US$ 139 milhões. O valor de US$ 1,148 bilhão corresponde aos nove primeiros meses do ano, não ao mês isolado.
Os principais segmentos industriais
Autopeças, confecções, bebidas e produtos de alumínio responderam, em conjunto, por 69% das exportações acumuladas. Também tiveram participação os setores químico-farmacêutico, de plásticos e de alimentos. A concentração evidencia especialização produtiva, mas amplia a exposição a oscilações da demanda nesses segmentos.
Mercosul recebe 74% das exportações
Os países do Mercosul absorveram 74% dos embarques, sobretudo Brasil e Argentina. A integração às cadeias industriais regionais favorece as operações, mas a concentração geográfica reforça a importância de diversificar mercados, fortalecer a logística e observar as regras de origem.
Emprego e localização das empresas
O setor contabilizava 36.382 postos de trabalho no fim de setembro, aumento de 4% em relação ao ano anterior. As confecções empregavam 8.431 pessoas; autopeças, 7.865; serviços intangíveis, 3.989; plásticos, 2.985; e produtos químico-farmacêuticos, 2.583. Cerca de 92% das empresas com programas aprovados estavam em Alto Paraná, Central, Amambay e Assunção.
Insumos importados e valor agregado
Entre janeiro e setembro, as indústrias maquiladoras importaram US$ 605 milhões em insumos, alta de 20%. A diferença aritmética entre exportações de US$ 1,148 bilhão e importações de US$ 605 milhões é de US$ 543 milhões, mas isso não equivale, por si só, ao valor agregado produzido no Paraguai, pois não considera todos os custos e componentes da atividade.
Por que os dados do Banco Central são diferentes?
O Banco Central do Paraguai (BCP) registra exportações de maquila de US$ 1,1493 bilhão, com crescimento de 29%. O MIC/CNIME informa US$ 1,148 bilhão e crescimento de 25%. Os números pertencem a séries divulgadas por instituições diferentes; diferenças metodológicas ou revisões não devem ser presumidas sem conciliação oficial. Nesta análise, a referência principal é MIC/CNIME.
O que observar para investir
A expansão pode abrir oportunidades para fornecedores de manutenção, automação, embalagens, insumos, certificação, logística, formação técnica e software industrial. Porém, crescimento exportador não assegura a rentabilidade de novos projetos. É essencial avaliar energia, custos, demanda, acesso a mercados, requisitos regulatórios e a possibilidade de ampliar fornecedores locais.
Leitura Radar: o próximo desafio da maquila paraguaia é aumentar o conteúdo produtivo local, qualificar a mão de obra, diversificar destinos e consolidar cadeias de valor sustentáveis.
Fonte principal: MIC/CNIME, relatório janeiro–setembro de 2026, divulgado em 15 de outubro. Comparação: Radar Inversión, análise da série de comércio exterior do BCP. Análise jornalística, não recomendação de investimento.

